sexta-feira, 16 de abril de 2010

PIRRO I – SEGUNDO REINADO (297 – 272 a.C.) – PARTE V

As Guerras Pírricas (280 - 275 a.C.)


A Batalha de Benevento e o Retorno ao Épiro
Estando Pirro na Itália, a guerra com os romanos se reiniciou (275 a.C.). Os cônsules de Roma eram Mânio Cúrio Dentato e Sérvio Cornélio Merenda. Dentato avançou para o sul da Itália e Pirro avançou contra ele, que estava acampado na periferia da cidade de Malevento, antes que chegasse Merenda. Dentato queria evitar a batalha antes que chegasse seu colega, mas o avanço noturno de Pirro precipitou o confronto. As forças exaustas de Pirro foram facilmente vencidas. Os romanos enfrentaram os elefantes do rei epirota com flechas em chamas. Porque Malvento soava como a palavra latina para má oportunidade, os romanos mudaram o nome da cidade para Benevento,"boa oportunidade", sendo hoje seu atual nome. Pirro retornou a Tarento. Recorreu aos reis da Macedônia e da Síria por mais suprimentos, mas sem sucesso. Sendo mal visto pela população tarentina e sem condições de proseguir uma guerra com Roma, Pirro deixa uma guarnição em Tarento sob o comando de seu filho Heleno e de Milo, e volta para o Épiro (274 a.C.) que encontrava-se sob a regência de seu filho Ptolomeu. O rei voltara financeiramente quebrado, mas seu espírito guerreiro ainda ardia haja vista ter voltado, apesar de sua derrota, com considerável efetivo militar. Sendo assim, Pirro e Ptolomeu recuperam a ilha de Corcira na costa do Épiro. Abaixo: os elevantes de Pirro foram ineficazes na batalha de Benevento.

Invasão à Macedônia
Em 273 a.C. Pirro invadiu a Macedônia, onde reinava então Antígono II Gônatas, filho de Demétrio I Poliorcetes. Pirro reforçou seu exército com um corpo de mercenários gauleses e, inicialmente, o seu único objetivo parecia ser apenas saquear cidades para fortalecer suas combalidas finanças. Mas seu sucesso excedeu as suas expectativas: ele obteve a posse de várias cidades sem resistência e ainda te o acréscimo de dois mil soldados. Quando Antígono avançou para detê-lo, Pirro o emboscou em um desfiladeiro, matando a maioria de seus mercenários gauleses e capturando os seus elefantes. Pirro avançou contra os conturbados soldados macedônicos que não resistiram a Pirro que chamava seus líderes veteranos pelo nome: Antígono viu sua falange macedônica desertar e dar boas vindas a Pirro como o novo rei da Macedônia. Antígono se retirou para o litoral recuperando algumas cidades costeiras. Pirro dedicou sua vitória a deusa grega Atena e lhe consagrou os escudos tirados dos gauleses mercenários de Antígono. Assim, Pirro, o molosso rei do Épiro, era novamente rei da Macedônia. Abaixo, Pirro e seus homens celebrando uma vitória.

Guerra com Esparta
Cleônimo, membro da família real de Esparta que tinha sido excluído do trono, teve sua jovem esposa, Quelidonis, seduzida por Acrótato, filho de Areu I, que reinava em Esparta. Cleônimo, ansioso por vingança, chegou à corte de Pirro e convenceu-o a declarar guerra contra Esparta para fazer prevalecer os direitos de Cleônimo ao trono.
Pirro fez uma expedição ao Peloponeso. Enquanto lá ele esteve, recebeu várias embaixadas, dentre as quais a espartana. Ele prometeu enviar seus filhos para Esparta, para serem treinados de acordo com os preceitos de Licurgo (lendário legislador de Esparta). Apesar de os embaixadores espartanos enfatizarem a natureza pacífica e amigável de Pirro, este marchou para Lacedemônia ( país de Esparta) em 272 a.C. com um exército de 25.000 soldados, 2.000 cavalos e 24 elefantes. Quando os embaixadores espartanos o repreenderam por agir contra as suas próprias palavras, Pirro respondeu, segundo o historiador Polieno (Estratagemas 6.1): “Quando vós os espartanos resolveis fazer a guerra, é vosso costume não informar o inimigo. Não me acuseis, portanto, de injustiça, se hei utilizado um estratagema espartano contra os mesmos espartanos”. Abaixo, mapa do Épiro e seus vizinhos.Em Esparta não havia nenhuma preparação defensiva, e o próprio rei Areu se encontrava em Creta. Tão logo chegou Pirro, Cleônimo pediu-lhe para atacar a cidade diretamente. De acordo com Plutarco, como o dia avançava, Pirro decidiu adiar o ataque até o dia seguinte, temendo que os seus homens saqueassem a cidade se esta caisse depois do pôr do sol. Durante a noite, os espartanos, jovens e velhos, homens e mulheres, trabalharam incessantemente para cavar uma cova profunda em frente ao campo inimigo e, ao final de cada barragem formaram uma forte barricada de carretas. No entanto em sua Descrição da Grécia, Pausanias diz que tais trincheiras e barricadas existiam desde a guerra de 295 a. C. contra Demétrio I Poliorcetes, até mesmo as edificações que cobriam os pontos mais fracos. Ele também alega que os espartanos enfrentaram Pirro em batalha ao lado messênios e argives, seus aliados, e foram derrotados, após o que o rei epirota se contentou em saquear o acampamento inimigo. Abaixo, pintura de Jean-Baptiste Topino-Lebrun retratando o sítio de Esparta por Pirro.Segundo outros autores, no dia seguinte, Pirro avançou em direção à cidade mas foi rechaçado pelos espartanos que lutaram sob o comando de seu jovem líder Acrótato de uma maneira digna sua fama ancestral. Ele renovou o ataque no dia seguinte, sem melhor resultado. Quando rei Areu chegou com 2000 cretenses juntamente com Amínias de Foceia, general de Antígono, com tropas auxiliares de Corinto, Pirro abandonou qualquer esperança de capturar a cidade, mas não abandou por completo sua campanha, pois decidiu passar o inverno no Peloponeso e se preparar para novos empreendimentos quando da chegada da primavera.

A Última Batalha da Águia do Épiro
Enquanto se preparava Pirro foi convidado por Aristeu, um dos notáveis da cidade de Argos, para ajudá-lo contra o seu rival Aristipo, cuja causa era favorecida por Antígono II Gônotas. Pirro começou seu avanço a partir de Lacedemônia, mas não sem lutas intensas, pois os espartanos atacaram sua marcha e ocuparam algumas passagens das montanhas. Em um desses encontros morreu o filho mais velho de Pirro, Ptolomeu, que fora regente do Épiro e provável sucessor do rei epirota. Com grande dor, Pirro vingou sua morte matando o chefe da guarnição espartana com as próprias mãos. Quando chegou nas proximidades de Argos, encontrou Antígono acampado em uma colina perto da cidade, mas não conseguiu induzi-lo a lutar. Abaixo, ruínas do antigo teatro de Argos na cidade atual.Havia um partido em Argos, que não pertencia a nenhuma das facções e estava ansioso para livrar-se tanto de Pirro como de Antígono. Eles enviaram uma embaixada aos dois reis, pedindo-lhes para se retirar da cidade. Antígono concordou e enviou seu filho como refém, mas Pirro se recusou e não enviou nenhum refém. Ao anoitecer, Aristeas permitiu a Pirro passagem para a cidade; este entrou no mercado com alguns de seus soldados, deixando seu filho de Heleno com o grosso das tropas no lado exterior. Quando o alarme veio, a fortaleza foi ocupada por argivos da facção contrária. Areu e seus espartanos, que tinha seguido de perto a Pirro, foram admitidos no interior da cidade. Antígono também pode inserir uma parte de suas tropas para dentro, sob o comando de seu filho Alcíone, enquanto ele permanecia fora com o grosso de seu exército. Abaixo, moeda com a efígie de Antígono II Gônatas.Ao fim da madrugada, Pirro viu que todas as praças fortes estavam sob controle do inimigo, tornando-se necessário se retirar. Ele enviou ordens para que seu filho Heleno quebrar parte das muralhas, lugar por onde ele poderia mais facilmente se retirar, mas um erro na entrega da mensagem fez com que Heleno tentasse entrar na cidade pelo mesmo lugar onde Pirro estava saindo. Os dois grupos se encontraram de frente e para aumentar a confusão um dos elefantes caiu na porta, e um segundo tornou-se selvagem e incontrolável. Pirro, na retaguarda, tentava segurar o inimigo. Enquanto lutava, ficou levemente ferido no peito por uma lança e, voltando-se para vingar do argivo que o tinha atacado, a mãe do soldado, vendo seu filho em perigo, jogou do telhado da casa onde se achava uma telha pesada que golpeou Pirro na nuca. Ele caiu de seu cavalo atordoado e foi reconhecido por Zópiro, um dos soldados de Antígono. Ele foi morto quando estava deitado, decapitado e sua cabeça enviada para Alcíone, que exultante, levou o sangrento troféu a Antígono, seu pai. Mas, Antígono desviou o olhar. Tratou Heleno, filho de Pirro, com magnanimidade e entregou-lhe o cadáver de seu pai, permitindo ainda que Heleno retornasse ao Épiro com segurança. Seus restos mortais foram depositados no templo da deusa Deméter. No trono do Épiro, Pirro foi sucedido por seu filho Alexandre II. Abaixo, ilustração da morte de Pirro.
REFERÊNCIAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_Epiro
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus03.html


quinta-feira, 15 de abril de 2010

PIRRO I – SEGUNDO REINADO (297 – 272 a.C.) – PARTE IV

A Guerra na Sicília

Ao lado, efígie de Pirro rei em moeda siciliana. Após tomar a resolução de investir na Sicília, Pirro enviou Cíneas, seu embaixador, às cidades da ilha a fim de iniciar as negociações. Entretanto, a guarnição que colocara na cidade de Tarento sob o comando de Milo, a fim de mantê-la submissa, provocara grande descontentamento entre os seus habitantes. Os tarentinos mandaram-lhe dizer que, ou Pirro permanecia no país a fim de sustentar a guerra contra os romanos, de acordo com o compromisso anteriormente assumido, ou, caso decidisse abandonar a Itália, que deixasse Tarento na situação em que a havia encontrado. Pirro respondeu-lhes que não lhe falassem mais em tal assunto e que esperassem pelo momento oportuno. Alexandre, filho de Pirro, ficou no comando da cidade de Locris. E assim seguiu para a Sicília e quando chegou em Siracusa arbitrou a paz entre Tenon e Sóstrato e outras as cidades apressaram-se em se entregar, e, em todos os lugares onde teve de empregar a força, não encontrou nenhuma forte resistência. Foi proclamado strategos (general) da Sicília. Com um exército de trinta mil homens de infantaria e dois mil e quinhentos cavaleiros, e uma esquadra de duzentos navios, ele ia expulsando por toda parte os cartagineses e conquistando as regiões que estavam sob o seu domínio. A campanha durou cerca de dois anos (278 – 276 a.C.). Abaixo, a campanha de Pirro na Sicília.A cidade de Érix , entre as que os cartagineses conservavam em seu poder, era a dotada de melhores fortificações e maior número de defensores. Em 277 a.C., Pirro decidiu ocupá-la pela força e ao aproximar-se da cidade prometeu ao deus Hércules um sacrifício solene e jogos públicos em sua homenagem, caso lhe concedesse a graça de mostrar-se, aos olhos dos gregos que moravam na Sicília, digno de seu nascimento e dos grandes recursos de que dispunha. Iniciada a batalha, foram colocadas escadas rente às muralhas, sendo Pirro o primeiro a subir enfrentando os cartagineses com fúria e ousadia. Ele parecia tão terrível aos cartagineses, que estes não ousavam olhá-lo de frente. Após a ocupação da cidade, Pirro fez a Hércules um sacrifício magnífico e promoveu festas com jogos e combates de todas as espécies.
Pirro foi proclamado (ou se proclamou) rei da Sicília, título que destinou ao seu filho Heleno (herdado de seu avô, pois ele era filho da filha de Agatocles, rei de Siracusa), reservando o inexistente título de Rei da Itália para o seu filho Alexandre. Abaixo moeda de Siracusa com a inscrição PYRRHOS BASILEUS, isto é, Pirrro rei.Pirro também derrotou aos temíveis mamertinos de Messina. Os cartagineses se alarmaram de tal forma ante seu êxito que lhe ofereceram barcos e dinheiro com a condição de que fizesse uma aliança com Cartago, apesar de que há não muito tempo os cartagineses tinham assinado um tratado com Roma. Pirro rejeitou a oferta (que lhe daria grande vantagem em sua guerra contra Roma) a pedido dos gregos da Sicília que se recusavam a qualquer acordo com os cartagineses se eles, evacuassem completamente a ilha. Prosseguindo a guerra para expulsão dos cartagineses da Sicília, Pirro foi derrotado com grandes perdas após o ataque contra a inexpugnável cidade de Lilibea. O prestígio de seus sucessos diminuiu. Abaixo, o ataque epirota à Lilibea.Depois da derrota de Lilibea, Pirro decidiu construir uma frota e atacar os cartagineses na África, sua sede, assim como o rei de Siracusa, Agatocles, fizera em 310 a.C. Mas, os gregos sicilianos constataram que o perigo de uma dominação cataginesa fora afastado e não se entusiasmaram por uma guerra no exterior. Ansioso pelo empreendimento, Pirro passou a ser intolerante com os sicilianos que não atendiam suas ordens. Assim os gregos da Sicília, que antes o convidaram para a ilha, agora estavam ansiosos para que ele se retirasse e conspiraram contra ele. Isto levou a uma retaliação por Pirro, que atuou de forma descrita como cruel e tirânica pelos gregos. Envolvido em conspirações e insurreições de todos os tipos, Pirro estava tão ansioso para sair da ilha como estava antes de deixar a Itália. Então, quando seus aliados italianos novamente pediram a sua ajuda, imediatamente retornou para a península. Antes de sair, voltou-se para admirar a ilha e disse em voz alta: “Que boa arena de combate deixamos aqui para os romanos e os cartagineses”. Abaixo, as zonas dominadas por Cartago em cerca de 270 a.C.

O Retorno à Itália
Pirro voltou para a Itália no outono de 276 a.C. Ele foi atacado por uma frota de Cartago no seu percurso perdendo setenta de seus navios de guerra, que tinha obtido na Sicília. Quando ele desembarcou, teve que lutar contra os mamertinos que tinham atravessado o estreito de Messina para impedir a sua chegada. As forças de Pirro os derrotaram após violentos combates, e finalmente chegou em segurança em Tarento. Suas tropas tinha então aproximadamente os mesmos números da primeira vez que desembarcaram na Itália, mas de uma qualidade diferente. O fiéis epirotas tinham caído na maior parte e agora sua força militar é composta principalmente de mercenários recrutados na Itália e cuja lealdade só poderia ser segurada por vitórias, saques e pagamentos. Abaixo, ilustração de Pirro belicamente paramentado.Pirro não esteve inativo em Tarento. Recuperou Locri, que se revoltara contra seu filho Alexandre e passara para os romanos. Como aqui começou a ter dificuldades para conseguir o dinheiro necessário para pagar todos os seus soldados, e não recebendo mais de seus aliados, foi induzido por alguns filósofos epicuristas se apropriar dos tesouros do templo da deusa Prosérpina. Os barcos em que o dinheiro devia ser embarcado para ser levado para Tarento, foram reconduzidos a Locri por causa de uma tempestade. Esse evento afetou profundamente o ânimo de Pirro (que antes manifestara que o culto à deusa era superstição) que ordenou que os tesouros foram devolvidos ao templo e condenou à morte os infelizes que aconselharam a cometer a profanação. Desde então, como ele diz em suas memórias, ele vivia atormentado pela idéia de que a ira de Prosérpina o tinha perseguido até a ruína.

REFERÊNCIAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_Epiro
Los héroes y las grandezas de la tierra: (1855) editado por Fernando Patxot Ferrer. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=gIXzPf_ZFpEC&dq=Sabilinto&source=gbs_navlinks_s
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus01.html
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus02.html
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus03.html
http://www.mlahanas.de/Greeks/Bios/PyrrhusÉpiro.html
http://www.satrapa1.com/articulos/antiguedad/pirro/Pirro1.htm#7
http://www.heritage-history.com/www/heritage.php?R_menu=OFF&Dir=characters&FileName=pyrrhus.php
http://www.mainlesson.com/display.php?author=guerber&book=romans&story=pyrrhus
http://es.wikipedia.org/wiki/Guerras_Pírricas

terça-feira, 13 de abril de 2010

PIRRO I – SEGUNDO REINADO (297 – 272 a.C.) – PARTE III

Estátua de Pirro estilizado como Marte, o deus romano da guerra

Antecedentes da Guerra na Itália
Desde muito tempo havia várias cidades gregas na Sicília e no sul da Itália. Essa região era conhecida como Magna Grécia. A expansão de Roma sobre a Itália fez com que esta entrasse em choque inevitável com as cidades gregas do sul da península italiana. Na batalha de Sentinum (295), os romanos haviam derrotado os samnitas e os etruscos e assim começaram a unificar a Itália. Os romanos não estavam realmente interessados no extremo sul ainda, mas as circunstâncias políticas os levaram para a 'bota do Mediterrâneo". Abaixo, as cidades gregas da Magna Grécia.


Os lucanos, povo italiota helenizado, entraram em choque com algumas cidades gregas que apelaram aos romanos (285 a.C.). Estes ajudaram as cidades de Túrios contra os lucanos e Régio e Lócris contra os bútios, mas foram atacados pelos gregos de Tarento (282), que se ressentiram dessa intromissão romana na sua zona de influência. Quando o Senado enviou emissários para reclamar sobre este incidente, eles foram maltratados e a guerra foi declarada. Abaixo, a Itália antes às vésperas da intervenção de Pirro.Os habitantes de Tarento convidaram Pirro para ajudá-los contra os romanos oferecendo-lhe o comando das forças conjuntas. Pirro deixou claro aos embaixadores do sul da Itália que sua atuação na Itália se limitaria à campanha e não a algo maior. Mas, pelo que se sabe do célebre rei epirota e de seu investimento nessa guerra, certamente ele visava algo maior. Abaixo, moeda de Tarento com a efígie de seu epônimo, Taras. Possivelmente Pirro tinha a intenção de vingar a morte de Alexandre I, rei do Épiro que morreu na Itália (331 a.C.) em ajuda a Tarento. Aparecia-lhe a oportunidade de igualar-se a Alexandre, o Grande, através da construção de um império no Mediterrâneo ocidental, onde a rica Sicília era um alvo tentador. Ele poderia posar como o defensor da civilização grega, que o faria ganhar mais respeito na Grécia, ainda que os gregos considerassem os macedônios e os epirotas um pouco melhor do que bárbaros (povos não gregos). Mas o aspecto mais interessante foi ideológico: seria uma segunda Guerra de Troia. Roma alegava ter sido fundada por refugiados de Troia, liderados por Eneias; Pirro alegava ser descendente de Aquiles, o arqui-inimigo dos troianos. Um novo Aquiles luta contra uma nova Tróia. Abaixo, moeda romana retratando o mito fundamental da fundação de Roma: Rômulo e Remo alimentados por uma loba.Pirro foi encorajado a ajudar os tarentinos por influência do oráculo de Delfos bem como por incentivo de seus próprios comandantes. No entanto, Pirro não poderia deixar o Épiro sem se precaver de seus vizinhos belicosos. Estabeleceu acordos de paz com os ilírios e os etólios e casou-se com a filha de Ptolomeu Cerauno da Macedônia e alegando-se defensor da civilização helênica conseguiu o apoio financeiro e logístico de Antígono II Gônotas da Grécia e de Antíoco I Sóter da Ásia. Provavelmente, esses reis também o apoioaram para mantê-lo longe visto que o caráter bélico de Pirro sempre pairava como uma sombra de guerra sobre seus vizinhos. Abaixo, os estados helenísticos que apoiaram a Pirro.Em 280 Pirrro enviou seu embaixador Cíneas com algum efetivo e depois viajou pessoalmente para Tarento. Pirro deixou seu filho Ptolomeu, com cerca de 15 anos, como regente do Épiro e levou seus dois outros filhos Alexandre e Heleno. Pirro chegou à Itália com 20 elefantes de guerra, 3.000 cavaleiros, 2.000 arqueiros, 500 fundeiros, e 20.000 soldados. Esse grande efetivo indica que o objetivo de Pirro não era só defender Tarento dos romanos, mas subjugá-los. Ele contou ainda com a cidade que o tinha convidado bem como com as cidades de Metaponto e Heracleia. Pirro ordenou imediatamente aos tarentinos deixá-lo no comando de sua cidadela e os forçou-os a fazer exercícios militares. Abaixo, transporte dos elefantes de guerra.

A Batalha de Heracleia
Enquanto isso, os romanos tinham enviado o cônsul Públio Valério Levino para o sul. Seu exército era tão grande quanto o de Pirro, mas os romanos ainda não estavam familiarizados com o tipo de guerra que havia sido desenvolvido por Filipe II e Alexandre, o Grande,  da Macedônia. Devido à superioridade da sua cavalaria e dos seus elefantes, Pirro derrotou os romanos na Batalha de Heracleia. Segundo Pausânias, Pirro havia capturado seus elefantes na batalha com Demétrio. Quando na batalha de Heracleia os romanos viram os elefantes, entraram em pânico não acreditando que eles eram animais. Os romanos perderam cerca de 7.000 homens ao passo que Pirro perdeu 4.000. Pirro, no entanto, generosamente agiu depois da batalha, enterrando os corpos dos romanos da mesma forma como os dos seus próprios soldados e os prisioneiros foram tratados com bondade. Para comemorar esta vitória, Pirro escreveu uma dedicatória no oráculo de Zeus em Dodona. Abaixo, os elefantes de guerra atacando os romanos.


A Marcha de Pirro na Itália
Desde esta vitória, várias tribos e as cidades gregas de Cróton e Locros juntaram-se a Pirro. Este ofereceu aos romanos um tratado de paz, mas que foi rejeitado. A proposta de Pirro era que os romanos reconhecessem a independência das cidades gregas do sul da Itália, restaurasse os samnitas, lucanos, apúlios e brúcios a todas as suas possessões perdidas na guerra e que Roma deveria fazer as pazes com Pirro e com Tarento. Logo que o tratado de paz acordado nestes termos fosse confirmado, Pirro faria o retorno de todos os prisioneiros romanos sem resgate. Mas o acordo foi rejeitado. Abaixo, pintura de Cesare Macare retratando o senador Ápio Cláudio persuadindo o senado romano a rejeitar a proposta de Pirro. Cíneas, o eloquente embaixador de Pirro, foi expulso de Roma no mesmo dia. Por conseguinte, o rei decidiu continuar a guerra com vigor. Forçou uma marcha com destino a Roma saqueando as terras dos aliados dos romanos em seu caminho. Atrás dele estava o cônsul Levino, cujo exército foi reforçado com duas legiões recrutadas em Roma. Levino não combateu diretamente a Pirro, mas atrasou sua marcha até que o rei epirota chegou em Preneste (atual Palestrina), no Lácio, a 35 km de Roma. Abaixo, a marcha de Pirro até Preneste.Os batedores de Pirro chegaram até 9 km a leste da cidade. Mas sua marcha até Roma foi retardada. Neste momento foi informado que os romanos tinham feito paz com os etruscos e que o outro cônsul, Tibério Coruncanio, voltou com seu exército a Roma. Toda a esperança de se fazer a paz com Roma se foi e Pirro  decidiu retirar-se lentamente para a Campânia, ao sul. De lá, ele se retirou para seus alojamentos de inverno em Tarento e nenhuma outra batalha foi travada naquele ano (280 a.C.). Os romanos enviaram uma embaixada a Pirro encabeçada por Caio Luscino, a qual Pirro tratou com grande dignidade, mas não celebraram a paz. Os romanos visavam apenas troca ou resgate de prisioneiros. No entanto, Pirro, confiando na dignidade e honra dos romanos, permitiu que os prisioneiros fossem celebrar as festas Saturnálias em Roma e depois regressassem, o que de fato ocorreu. Abaixo, quadro de Ferdinand bol retratando o episódio descrito por Plutarco no qual um elefante assoa a tromba sobre a cabeça do legado romano Fabrício.

A Batalha de Ásculo
Quando Pirro invadiu a Apúlia (279 a.C.) os dois exércitos defrontaram-se na Batalha de Ásculo onde Pirro obteve uma vitória a muito custo. Os romanos perderam 6.000 homens e Pirro perdeu 3.500. Foi um duro golpe no exército de Pirro, que não aguentaria outro desfalque semelhante contra os romanos. Esta vitória não deu qualquer vantagem a Pirro que foi forçado a recuar para Tarento para passar o inverno sem grandes progressos. Por sua vitória em Ásculo, esse tipo de sucesso é chamado de uma vitória de Pirro ou vitória pírrica, onde o vencedor recebe um grande sucesso à custa de grandes danos. Se diz que após essa vitória Pirro teria dito: "Outra vitória como esta e estarei vencido!". Abaixo, ilustração da batalha de Áscalo.

Negociações e Oportunidades
Nesta batalha, como em Heracleia, a maior parte da ação recaiu praticamente sobre as tropas gregas do rei , e o estado em que se encontrava a Grécia após as invasões gaulesas do mesmo ano tornou impossível dos epirotas receberem reforços da Hélade. Então Pirro evitou arriscar a vida dos seus gregos sobreviventes em uma nova campanha contra romanos. A Grécia e a Macedônia também precisavam do apoio de Pirro ante a invasão dos gauleses que acabaram por matar a Ptolomeu Cerauno, rei da Macedônia e aliado de Pirro. Surgia assim a oportunidade de outra campanha: a reivindicação do trono da Macedônia. Porém, Pirro recebeu duas embaixadas de Siracusa. Depois de uma longa guerra civil entre Tenon e Sóstrato, a cidade estava indefesa contra uma possível invasão dos exércitos de Cartago, importante cidade fenícia na costa da África. Ambos adversários políticos procuraram o apoio de Pirro. Esta empresa parecia mais simples do que a da Itália, e tinha a atração da novidade, que sempre atraiu o inquieto rei do Épiro. Abaixo, mapa da Sicília no tempo de Pirro e suas cidades e origens étnicas. No entanto, antes era necessário suspender as hostilidades com os romanos, que também estavam ansiosos para se livrarem de um oponente formidável e completar a subjugação do sul da Itália sem interrupção. Uma vez que ambos os lados compartilharam de um desejo comum não foi difícil chegar a um acordo para acabar com a guerra. Isso ocorreu no início de 278 a. C. quando um dos médicos de Pirro, Nicias, desertou para as linhas romanas e propôs aos cônsules envenenar seu mestre. Os cônsules Fabrício e Emílio enviaram o desertor de volta ao seu rei dizendo que detestavam a idéia de conseguir uma vitória por traição. Para mostrar sua gratidão, Pirro enviou Cíneas a Roma com todos os prisioneiros romanos entregando-os sem resgate. Parece que Roma concedeu uma trégua a Pirro, mas não uma paz formal, pois o rei não concordou em abandonar a Itália. Seus planos se voltam para a Sicília.

REFERÊNCIAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_Epiro
Los héroes y las grandezas de la tierra: (1855) editado por Fernando Patxot Ferrer. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=gIXzPf_ZFpEC&dq=Sabilinto&source=gbs_navlinks_s
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus01.html
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus02.html
http://www.mlahanas.de/Greeks/Bios/PyrrhusÉpiro.html
http://www.satrapa1.com/articulos/antiguedad/pirro/Pirro1.htm#7
http://www.heritage-history.com/www/heritage.php?R_menu=OFF&Dir=characters&FileName=pyrrhus.php
http://www.mainlesson.com/display.php?author=guerber&book=romans&story=pyrrhus
http://es.wikipedia.org/wiki/Guerras_Pírricas

sexta-feira, 9 de abril de 2010

PIRRO I – SEGUNDO REINADO (297 – 272 a.C.) – PARTE II


Representação renascentista de Pirro no Palazzo Pitti em Florença, Itália



A Luta contra Demétrio I Poliorcetes

Enquanto Pirro organizava a sua nova capital e seu país, Demétrio expandia seu poder. Ele já controlava muitas cidades gregas e ainda havia acrescentado a seus domínios a Macedônia e a Tessália bem como diversos estados da Grécia central em 293 a.C. Tal era seu caráter belicoso que Demétrio tinha o apelido de poliorcetes que em grego quer dizer o sitiante de cidades. Os únicos estados que não possuía na Grécia era Esparta no sul e no oeste, a Etólia.
Desde antes do falecimento de Deidamia, Pirro e Demétrio antes tão amigos já não se entendiam. E as suspeitas e desafetos aumentaram após a morte da irmã de Pirro. Entre dois inimigos poderosos e de espíritos inquietos como Demétrio e Pirro, ciúme e disputas nasceram em breve. Eles cobiçavam os domínios um do outro, e os antigos amigos se tornaram inimigos mortais. Demétrio teve de lidar com revoltas na Tessália e Beócia, e havia fortes indícios de que Pirro estava envolvido. A guerra eclodiu em 291 a. C. Durante este ano, Tebas se rebelou contra Demétrio, pela segunda vez, provavelmente instigada por Pirro. Abaixo, ruínas de Tebas.Enquanto o rei macedônio estava indo pessoalmente para dominar a rebelião, Pirro invadiu a Tessália, mas foi forçado a se retirar ao Épiro ante às forças superiores de Demétrio. Em 290, Tebas capitulou deixando Demétrio livre para enfrentar Pirro e seus aliados da Etólia. Demétrio invadiu a Etólia na primavera de 289 e depois de varrer seus campos praticamente sem oposição, marchou para o Épiro, deixando Pantauco no comando da Etólia com um destacamento poderoso. Pirro avançou para interceptá-lo, mas por um caminho diferente, de modo que Demétrio entrou Épiro e Pirro na Etólia praticamente ao mesmo tempo. Pantauco imediatamente enfrentou as forças de Pirro e desafiou o rei epirota para um duelo. O desafio foi imediatamente aceito pelo jovem rei que acreditava que a glória de Aquiles era sua por linhagem e por virtude e assim derrubou Pantauco e poderia tê-lo matado se não tivesse sido resgatado por seus amigos. Os macedônios, desanimados com a queda de seu líder, fugiram sendo perseguidos pelos epirotas que estavam admirados da bravura de seu rei. Abaixo, ruínas do santuário de Thermos na Etólia.Essa vitória, entretanto, trouxe mais vantagens do que aquelas que parecem óbvias: os movimentos ousados e impetuosos do rei do Épiro lembraram aos veteranos do exército macedônio o seu mais querido rei, Alexandre Magno, preparando assim o caminho para Pirro ao trono da Macedônia. Demétrio não encontrou nenhuma oposição no Épiro, e durante a expedição conquistou a ilha de Corcira. Lanassa, esposa de Pirro, indignada que este dava mais atenção as suas outras esposas, havia se retirado para a ilha de Corcira e se oferecido em casamento a Demétrio I bem como a ilha de Corcira. Demétrio aceitou o convite e o dote. Pirro retornou para o Épiro mais irritado do que nunca contra Demétrio, que havia se retirado para a Macedônia. No Épiro, Pirro celebrou sua vitória na Etólia e foi chamado de águia. Ao que Pirro retrucou: “Por vossa causa sou águia. E como não serei elevado às alturas pelas asas de vossas armas?”. No início de 288 a.C. Pirro aproveitou que Demétrio se encontrava gravemente enfermo para invadir a Macedônia. Piro avançou até Edessa, importante cidade macedõnica, mas Demétrio conseguiu superar a sua doença e colocou-se à frente de suas tropas para expulsar o rival para fora do país sem grandes dificuldades. No entanto, dada a sua intenção de recuperar domínios de seu pai na Ásia, se apressou a fazer as pazes com Pirro, para continuar com os preparativos sem ser perturbado a sua retaguarda. Demétrio e Pirro selam uma aliança, mas o Epirota foi o vencedor moral. Abaixo, ruínas de Edessa na Macedônia

A derrota na Etólia e a invasão que se seguiu foram pesados golpes no prestígio macedônio. Afinal, desde os dias do rei Filipe II, os exércitos macedônicos quase nunca foram derrotados. Seleuco, Ptolomeu e Lisímaco, os velhos inimigos de Demétrio, se reuniram em uma coalizão contra ele e decidiram acabar com seu poder na Europa antes que cruzasse para a Ásia. Embora o reino de Demétrio fosse menor do que o de Lisímaco, rei da Trácia, Ptolomeu do Egito e Seleuco da Ásia, ele era o mais poderoso monarca de seu tempo. Seu exército era tão grande como o de Filipe II e Alexandre Magno e sua marinha era mais poderosa. Além disso, ele poderia contar com os gregos. Esse poder começou a provocar uma resistência e os seus concorrentes concordaram em atacá-lo. Ptolomeu mandaria sua marinha ao Mar Egeu; Lisímaco invadiria a Macedônia; Seleuco, cujos territórios que não faziam fronteira com Demétrio, deu apoio moral. Pirro foi facilmente persuadido a quebrar sua recente aliança com Demétrio e juntar-se à coalizão. Assim, na primavera de 287 Ptolomeu apareceu com uma poderosa frota na costa grega; Lisímaco invadiu as províncias superiores e Pirro as inferiores da Macedônia ao mesmo tempo. Demétrio, que deixara seu filho Antígono II Gônatas como regente da Grécia, foi primeiro contra Lisímaco, mas alarmado com o desânimo de seu exército e temendo que este passasse para o lado de Lisímaco, um dos veteranos generais e companheiro de Alexandre Magno, desfez rapidamente os seus passos e se dirigiu para o exército de Pirro, que tinha avançado para Berea e estabelecido seu quartel-general lá. 
Bust of Lysimachus. Archaeological museum, Selçuk (Turkey). Photo Marco Prins.
Lisímaco


Rei da Macedônia
Pirro foi um adversário tão formidável quanto Lisímaco: o carinho com que tratava seus prisioneiros, a sua condescendência e afabilidade para os habitantes de Berea, fez com que ganhasse a boa vontade do povo. Assim, quando Demétrio estava se aproximando, suas tropas desertaram em massa e juraram fidelidade a Pirro. Demétrio foi forçado a fugir disfarçado, deixando o reino ao seu rival. Pirro foi incapaz de qualquer forma a garantir o controle de toda a Macedônia: Lisímaco reclamou a sua parte e o reino foi dividido entre eles sendo a fronteira o rio Axios.
Em 286, Pirro invadiu a Tessália, que até então se mantinha fiel a Demétrio e Gônatas. Pode ter havido algum grau de participação dos atenienses, que atacaram a guarnição de Gônatas no porto Pireu e libertaram-se do domínio estrangeiro. Antígono estava agora reduzido à Grécia central e ao Peloponeso e foi forçado a concluir um tratado de paz com Pirro, no qual ele teve de ceder mais territórios da Tessália em 285. Pirro estava no auge do seu poder. Abaixo, a região da Tessália.
Demétrio acabou por tornar-se prisioneiro de Seleuco I e por fim morreu em 283 após um estado lastimável de embriaguez e enfermidades. Removido o inimigo comum, os aliados Pirro e Lisímaco começaram a brigar. Em 284, Lisímaco simplesmente subornou os comandantes de Pirro fazendo aberturas diplomáticas com os macedônios e no verão de 285, o rei de Épiro teve que retornar a sua terra natal. Embora admirassem a Pirro, os macedônios aderiram a Lisímaco que além de macedônio fora um dos generais de Alexandre Magno. Pirro parece ter reinado sete meses sobre sua porção da Macedônia (sul da Macedônia e a Tessália) que era agora parte do império de Lisímaco, que se estendia desde Termópilas ao Danúbio e do Mar Jônico ao rio Halis, no centro da Ásia Menor. Ao que parece, Pirro ficou inativo três anos, tempo no qual Lisímaco teve oportunidade de invadir o Épiro e profanar os túmulos reais. O império de Lisímaco esbarrava no império de Seleuco e não tardou em estourar a guerra. Assim, em 281, Seleuco I derrotou a Lisímaco que morreu na Batalha de Corupédio, na Ásia Menor. Seleuco se tornou o senhor do império de Lisímaco, mas foi assassinado por Ptolomeu Cerauno que se tronou o novo rei da Macedônia. Como Pirro poderia reivindicar o trono macedônico, pois tinha crédito moral perante o povo de Alexandre Magno, Ptolomeu Cerauno resolveu fazer uma aliança com ele.

REFERÊNCIAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_Epiro
Los héroes y las grandezas de la tierra: (1855) editado por Fernando Patxot Ferrer. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=gIXzPf_ZFpEC&dq=Sabilinto&source=gbs_navlinks_s
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus01.html
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus02.html
http://www.mlahanas.de/Greeks/Bios/PyrrhusÉpiro.html

quarta-feira, 7 de abril de 2010

PIRRO I – SEGUNDO REINADO (297 – 272 a.C.) - PARTE I


Busto de Pirro I no Museu de Nápoles, Itália

Jovem Guerreiro
Banido de seu próprio reino, Pirro, que tinha apenas 17 anos, juntou-se a Demétrio, que era casado com sua irmã Deidamia, e o acompanhou para a Ásia onde as forças de Antígono Monoftalmo e seu filho Demétrio enfrentariam os demais sucessores de Alexandre Magno (Cassandro, Lisímaco, Ptolomeu e Seleuco) pelo comando de seu império. A batalha decisiva se deu em Ipso, na Frígia (na Ásia Menor) em 301 a.C. durante a qual Pirro ganhou uma grande reputação pelo seu valor militar. Embora ainda muito jovem, se diz que ele enfrentava impetuosamente qualquer pessoa que cruzasse seu caminho, uma atitude que o distinguiu pelo resto de sua vida militar. Seus esforços, porém, pouco puderam fazer para alterar o resultado da batalha e foi forçado a recuar. A Batalha terminou com a vitória dos aliados; Antígono morreu na batalha e Demétrio, com o exército desmantelado, não podia mais fazer frente a seus inimigos, embora ainda possuísse uma poderosa frota naval. Sendo assim, iniciaram-se as negociações de paz. Abaixo, mapa dos reinos helenísticos (gregos) governados pelos sucessores de Alexandre Magno antes da batalha de Ipso (301 a.C.).

Na Corte do Egito
Na Antiguidade era uma prática diplomática muito comum entregar reféns para garantir que os lados opostos mantivessem suas promessas. Mantendo-se leal a Demétrio, Pirro, em 300 ou 299 a.C.,viajou para o Egito como um refém, quando Demétrio concluiu a paz com Ptolomeu I. Pirro logrou êxito em angariar o favor de Berenice, a esposa de Ptolomeu, e recebeu como esposa a Antígona, filha de Berenice com seu primeiro marido. Ao lado, moeda com as efígies de Ptolomeu I e Berenice. Segundo Plutarco, Pirro realmente amava Antígona com a qual vivia bem. Benquisto na corte egípcia, Pirro convenceu a Ptolomeu dar-lhe uma frota e tropas com as quais poderia voltar para o Épiro e reivindicar seu reino de Neoptólemo II o que aconteceu em 297. Além de seu bem-querer ao valente epirota, certamente Ptolomeu visava usar Pirro como seu títere na Europa, guardando os interesses egípcios contra Cassandro da Macedônia.

Rei do Épiro novamente
Desde 302 a.C., Neoptólemo II reinava sobre os epirotas, mas de forma tirânica, o que deixou o povo disposto a uma boa recepção ao retorno de Pirro. Este, no entanto, não iniciou uma guerra: temendo que Neoptólemo buscasse apoio em outros reis e assim iniciar uma guerra civil imprevisível, Pirro resolveu fazer uma aliança com seu primo e partilharam o reino.Abaixo, moeda de Pirro com a efígie de Zeus.
No entanto esse correinado não foi amistoso haja vista as conspirações e suspeitas mútuas. Por fim, em 295, os dois reis e seus nobres foram celebrar no santuário de Zeus Areius em Passaron na Molóssia o tradicional compromisso de fidelidade às leis do país. Pirro foi informado e que Neoptólemo intencionava matá-lo por envenenamento. Sendo assim, ciente de que os maiorais dos epirotas estavam de seu lado, Pirro convidou a Neoptólemo a um jantar onde o matou e se tornou o único soberano do Épiro.
Mantendo vivo seu vínculo com a corte do Egito, Pirro deu o nome de Ptolomeu a seu filho e havendo edificado uma cidade deu-lhe o nome de Berenike em homenagem a sua sogra. Pirro tinha cerca de 23 anos quando se estabeleceu sobre o trono do Épiro e se tornou um dos reis mais queridos dos epirotas. Sua coragem e ousadia asseguraram-lhe o respeito de suas tropas e sua generosidade e afabilidade o afeto de seu povo.

Intervenção na Macedônia
Em 298, Cassandro havia morrido deixando o trono a seu filho Filipe IV, que morreu dentro de dois meses (de causas naturais). O reino foi divido entre os demais filhos de Cassandro: Antípatro recebeu a metade ocidental e Alexandre V a metade oriental (sendo o rio Axios a fronteira entre os dois). Em 295 Antípatro reivindicou a totalidade do reino e expulsou a seu irmão. Alexandre pediu a Demétrio e a Pirro para vir em seu auxílio. Como Demétrio não poderia ajudá-lo de imediato, Pirro se apresentou primeiro. Pirro veio com a condição de que eles receberia todos os domínios macedônicos na metade ocidental da Grécia: Acarnania, Anfilóquia e Ambrácia (regiões epirotas conquistadas por Filipe II da Macedônia) e os distritos de Paravea e Tinfea, que faziam parte da própria Macedonia. Abaixo, a expansão do reino do Épiro. O rei Lisímaco da Trácia queria vir em socorro de Antípatro e forjou uma carta como sendo de Ptolomeu I do Egito, a quem Pirro muito estimava, pedindo que se retirasse da campanha e em troca recebesse trezentos talentos de prata de Antípatro. Mesmo percebendo a farsa, Pirro procurou fazer a paz com Lisímaco e Antípatro, mas durante o sacrifício que selaria o acordo, Pirro foi advertido pelo sacerdote Teodoro que não firmasse esse compromisso, pois a morte espontânea de uma cabra a ser sacrificada indicaria a morte de um dos reis. Pirro seguiu seu compromisso com Alexandre V e expulsou a irmão Antípatro em 294 a.C., embora pareça que ele manteve uma pequena porção de reino.
Pirro fez da cidade de Ambrácia (atual Arta na Grécia) sua nova capital: era uma cidade com acesso ao mar que não era nem molossa, nem tesprota nem caônia, embora tivesse vínculos com o passado histórico e mitológico dos epirotas. Pirro adornou a cidade com seu palácio, templos e teatros. Abaixo, imagem via satélite do Golfo Ambraciano onde Pirro estabeleceu sua nova capital.Demétrio, porém, deixou Atenas e foi para a Macedônia no final de 294 a.C. Visto que Alexandre V já estava estabelecido em seu reino este começou a desconfiar das intenções de Demétrio. Permeado por conspirações palacianas, por fim Demétrio matou a Alexandre num banquete tornando-se rei da Macedônia com reconhecimento quase imediato das tropas macedônicas. Demétrio atacou o irmão de Alexandre, Antípatro, seu possível rival, que fugiu para a corte de Lisímaco onde morreu.

As Consortes de Pirro
Antígona, esposa de Pirro, morreu e o rei do Épiro se casou com três outras mulheres. Sua primeira esposa foi Lanassa, filha de Agatocles, rei de Siracusa, e seu dote consistiu nas ilhas de Leucas e Corcira (Corfu atual). Pirro também se casou com uma filha do rei dos autoleontes de Peônia (norte da Macedônia) e Bircena, filha Bardilis, do líder dos ilírios. Com Antígona Pirro teve a Ptolomeu que morreu em combate em 272 a.C. Com Lanassa, teve Alexandre II (que o sucedeu) e com Bircenna teve Heleno, seu caçula, segundo Plutarco. Segundo Marco Justino, Heleno era filho de Lanassa. Pirro também teve filhas: Olímpia, que se casou com seu irmão Alexandre II, Nereis que se casou com tirano de Siracusa, Gelon, e Deidamia ou Laodamia.
Por laços de casamento, o Épiro estava agora em paz com todos os seus vizinhos já que o novo rei de Macedônia, Demétrio, tinha sido casado com a irmã de Pirro que morrera. Abaixo, moeda com a efígie de Agatocles, rei de Siracusa, sogro de Pirro.

REFERÊNCIAS
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_Epiro
Los héroes y las grandezas de la tierra: (1855) editado por Fernando Patxot Ferrer. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=gIXzPf_ZFpEC&dq=Sabilinto&source=gbs_navlinks_s
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus01.html
http://www.mlahanas.de/Greeks/Bios/PyrrhusEpirus.html



terça-feira, 6 de abril de 2010

NEOPTÓLEMO II - SEGUNDO REINADO (302 - 295 a.C.)

Não obstante ter conseguido fazer as pazes com a Macedônia, Alcetas II não ficou muito tempo no trono. Seu caráter tirânico suscitou uma revolta popular que o executou bem como aos seus descendentes. Glaukias, rei da Ilíria, era casado com a irmã de Alcetas e era tutor de Pirro, filho do falecido rei Eácides. Aproveitando o vácuo de poder no Épiro, Glaukias interveio na região e colocou Pirro, que ainda era menor, no trono do Épiro (307 a.C.). Tal situação não agradava a Cassandro na Macedônia já que Glaukias era seu inimigo, mas o rei macedônio não podia intervir visto estar envolvido nas guerras contra Antígono I e seu filho Demétrio que visavam controlar todo o império de Alexandre, o Grande. Demétrio fizera aliança com Pirro, casando-se com sua irmã, Deidamia. Mas quando Demétrio teve que se afastar da Grécia, os epirotas que se ressentiam da interferência de Glaukias no Épiro aproveitaram que Pirro fora a Ilíria para assistir o casamento de um amigo seu e proclamaram a Neoptólemo II novamente seu rei (302 a.C.). Abaixo, busto de Pirro I.
Neoptólemo reinou sem oposição, mas de modo tirânico, abrindo o caminho para Pirro retornar, o qual desembarcou em 297 a frente de um exército que lhe tinha dado Ptolomeu I Soter do Egito. Os epirotas, que já detestavam a Neoptólemo, receberam Pirro com alegria. Mas Pirro, temendo que Neoptólemo fizesse alguma aliança com os reis vizinhos (o que iniciaria uma guerra civil) fez um acordo com ele no qual ambos partilhariam o poder no Épiro. No entanto foi um partilhar tenso, visto que cercado de intrigas que deixavam os dois reis com mútuas suspeitas de conspiração. Em 295, os reis e a nobreza epirota se reuniram na cidade de Passaron para sacrificar ao deus Zeus Areius (Júpiter Marcial) quando os reis epirotas costumavam jurar solenemente governar segundo as leis do país. Durantes a festa, índicios de uma conspiração para assassinar a Pirro por envenenamento foram surgindo, inclusive, a informação de que Neoptólemo, durante um banquete na casa de sua irmã Cadmeia, falara claramente de sua intenção de eliminar o colega de trono. Sendo assim, num dia de sacrifício Neoptólemo convidou Pirro para um jantar, ocasião na qual Pirro, certo de que contava com apoio do povo, aproveitou para matar Neoptólemo. E Pirro reinou sozinho sobre o Épiro.

REFERÊNCIAS:
http://ca.wikipedia.org/wiki/Neoptòlem_II_d'Epir
http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Pyrrhus*.html#4

NEOPTÓLEMO II - PRIMEIRO REINADO (317 - 313 a.C.)

Neoptólemo II era filho do rei Alexandre I, o Molosso, com Cleópatra da Macedônia, irmã de Alexandre Magno. Sua irmã chamava-se Cadméia. Quando da morte de seu pai em combate na Itália em 331 a.C. Neoptólemo era uma criança. Sua mãe assumiu a regência (331 – 325 a.C.) seguida por sua avó Olímpia (325 – 319 a.C.), as quais se interessaram mais pela política da Macedônia do que da do Épiro e por fim legaram o reino a Eácides, primo de Neoptólemo, e filho do rei deposto Arribas (370 – 350 a.C.). Eácides apoiou a causa de Olímpia, sua prima e mãe de Alexandre Magno, que se pretendia regente da Macedônia em nome do neto Alexandre IV contra Cassandro, regente em nome de Filipe Arrideu. Abaixo, o rio Aqueronte, um dos principais do Épiro.Eácides procurou auxiliar Olímpia que estava sitiada em Pidna, na Macedônia, pelas forças de Cassandro. Uma parte de seus súditos se rebelaram contra essa campanha ( possivelmente por terem aversão à Olímpia) e Eácides, licenciando os rebeldes, marchou somente com os que o apoiavam. Logo após sua partida, os rebeldes o declararam banido do reino e fizeram aliança com Cassandro, o qual colocou seu general Licisco como regente do Épiro em nome do novo rei eleito pelos epirotas: Neoptólemo II, que era ainda menor (317 a.C.).
Seu “reinado”, no entanto, foi curto (quatro anos), pois cansados da suserania da Macedônia, os epirotas chamaram novamente a Eácides em 313 a.C. Embora tenha morrido no mesmo ano, Eácides foi sucedido por seu irmão Alcetas II que fez um acordo com Cassandro. Neoptólemo II, provavelmente viveu exilado na corte da Macedônia ou em Atenas como os reis epirotas anteriormente banidos. Até ser chamado novamente ao trono em 302 a.C.

REFERÊNCIAS:
http://ca.wikipedia.org/wiki/Neoptòlem_II_d'Epir
A History of Macedonia: 336-167 B.C Por Nicholas Geoffrey Lemprière Hammond,Frank William Walbank in:http://books.google.com.br