quinta-feira, 22 de abril de 2010

O REINO DO ÉPIRO: RESUMO HISTÓRICO

Introdução

O Épiro é uma região histórica da península balcânica que cobre parte da Grécia e da Albânia. Na Grécia é uma de suas periferias (Ήπειρος, Epeiros) e na Albânia é a região costeira de Çamëria (Chameria). O nome Épiro vem do grego Ἤπειρος, Epeiros (em grego dórico e no dos nativos do noroeste se usa a palavra Ἅπειρος, Apeiros). Épiro significa "continente". Acredita-se que vêm de uma raiz indo-européia (apero) que indica 'costa'. O nome foi originalmente aplicado para o continente oposto à ilha de Corcira (atual Corfu) e às ilhas jônicas. Abaixo, a região do Épiro entre a Albânia e a Grécia.
File:Epirus across Greece Albania4.svg
Segundo a mitologia grega, Épiro era filha de Equíon que acompanhou Cadmo e Harmonia, quando eles, deixando Tebas, migraram para o interior do país. Épiro morreu na Caônia e foi enterrada num bosque sagrado e seu nome acabou associado à região. Ainda segundo mitologia grega o rio Aqueronte (próximo a cidade de Parga) é um dos afluentes do mítico rio Estíge, o rio que conduzia ao mundo dos mortos. Abaixo, o rio Aqueronte.
Historicamente, a região limita-se com a Cadeia do Pindo, a leste; a grande ilha de Corfu e o Mar Jônico, a oeste; o Golfo Ambraciano, ao sul; e a Ilíria, ao norte. Há numerosos planaltos, planícies férteis, vales estreitos e lagoas. O clima é muito úmido, com chuvas abundantes e invernos frios; os rios mais importantes são o Aracto, o Tíamis e o Aqueronte. Na parte central, próximo à Cadeia do Pindo, fica o planalto de Dodona.
Na Antigüidade existiu na região um estado helenístico (o reino do Épiro) de breve duração, mas que chegou a fazer parte das lutas políticas dos outros estados gregos e a fazer frente à emergente e poderosa República Romana no século III a.C. As cidades mais importantes eram Dodona, Ambrácia, Cassope, Éfira, Nicópolis e Córcira, esta na ilha de Corfu. No Épiro ficavam dois dos mais famosos oráculos gregos: o de Zeus, em Dodona, e o dos mortos (Necromanteion), em Éfira (ruínas abaixo).
Os epirotas, falavam um dialeto grego do noroeste, diferente dos dórios das colônias gregas nas ilhas jônicas e usavam principalmente nomes gregos, como evidenciado pela epigrafia. Os epirotas parecem ter sido vistos com algum desdém por alguns escritores clássicos. O século V a.C., o historiador ateniense Tucídides descreve-os como "bárbaros", como faz igualmente Estrabão. Outros escritores, como Dionísio de Halicarnasso, Pausânias e Eutrópio os descrevem como gregos. O historiador Simon Hornblower interpreta os vagos, e às vezes até contraditórios, comentários de Tucídides sobre os epirotas como implicando que eles não eram completamente "bárbaros" nem completamente gregos, mas semelhante a estes últimos. Abaixo, mapa do antigo reino do Épiro.
O historiador N.G.L. Hammond opina que a principal estrutura social da epirotas era a tribo e que falavam um dialeto grego do oeste. Plutarco menciona um interessante elemento cultural dos epirotas sobre Aquiles. Em sua biografia do rei Pirro, ele afirma que Aquiles "tinha um status divino no Épiro e no dialeto local ele foi chamado ASPETOS" (significando “indizível”, “indizivelmente grande”, em grego homérico). Abaixo, representação de Aquiles (carregando o corpo de Ajáx): Os Eácidas diziam ser descendentes do lendário herói grego.
O Épiro foi ocupado pelo menos desde o período neolítico (c. 8000 a.C.), quando os caçadores e pastores habitavam a região e construíram grandes túmulos para enterrar seus líderes. Os túmulos micenos presentes na região indicam uma ligação ancestral entre o Épiro e a civilização micênica. Certamente, restos micenos foram encontrados no Épiro, especialmente nos mais importantes antigos locais religiosos na região, o Necromanteion (Oráculo dos Mortos) sobre o rio Aqueronte, e o Oráculo de Zeus em Dodona. Abaixo, locais dos túmulos micênicos no Épiro.
File:EpirusMycynaen.jpg
Os dórios invadiram a Grécia a partir do Épiro e da Macedônia, no final do 2 º milênio a.C. (circa 1100 -1000 a.C), embora as razões para a sua migração sejam obscuras. Os habitantes originais da região foram expulsos para o sul da península grega por causa da invasão e pelo início de 1º milênio a.C. três grupos principais de tribos de fala grega tinham surgido no Épiro. Estes foram os caônios, a noroeste do Épiro, os molossos no centro e no sul, os tesprotas. As três tribos diziam-se descendentes dos troianos. Na antiguidade, a região do Épiro foi conquistada pelas mesmas tribos nômades helênicas que conquistaram o resto da Grécia. Abaixo, elmo do tipo coríntio encontrado em Dodona, Épiro. Diferentemente da maioria dos outros gregos da época, que viviam dentro ou em torno de cidades-estados como Atenas ou Esparta, os epirotas viviam em pequenas aldeias e seu modo de vida era estranho ao das cidades gregas do sul. Sua região estava à beira do mundo grego e estava longe de ser pacífica; por muitos séculos manteve-se uma zona fronteiriça contestada pelos povos da Ilíria, da costa do Adriático e do interior. No entanto, dado ao seu afastamento geográfico, o Épiro tinha um significado religioso muito maior do que se poderia esperar devido à presença do santuário e oráculo de Dodona - considerado o segundo mais importante após o mais famoso oráculo de Delfos. Abaixo as tribos do Épiro e suas cidades e povos vizinhos.
Archivo:Map of ancient Epirus and environs.png

Os Caônios
Segundo a mitologia grega, após a guerra de Tróia, Neoptólemo, filho de Aquiles, dirigiu-se para a região do Épiro onde foi seu soberano. Ele trouxe consigo membros da corte troiana. Os caônios dizem derivar de Caon, irmão ou amigo de Heleno, filho de Príamo, rei de Tróia. Quando Heleno se tornou o governante do país deu a Caon uma parte dele para governar, a qual foi chamada Caônia. Os caônios, segundo o geógrafo Estrabão, eram a mais famosa das tribos epirotas. Tinham sua capital na cidade de Fênice, mas seu país eram um conjunto de aldeias e formavam mais um estado tribal do que uma sociedade hierarquizada nos moldes da Grécia clássica, que segundo Aristófanes, afirmava, fazendo um trocadilho, que o sistema de governo caônico era um caos. Seu dirigentes eram eleitos anualmente e no IV século a.C. e usavam o título de prostates ('protetor' em grego). Outros termos governamentais usados eram: grammateus ('secretário'), demiourgoi ('criadores'), hieromnemones ('de sagrada memória') e synarchontes ('cogovernantes'). Viveram em constantes combates com as tribos da Ilíria ao norte. Abaixo, ruínas de Fênice, capital dos caônios.
File:Thesauròs di Phoinike.jpg

Tesprotos
Segundo a mitologia grega, Tesproto, filho de Licaão, filho do rei Príamo de Tróia, era o líder dos pelasgos (povos pré-helênicos) e deu nome a um povo e a uma região no Épiro. Seu filho, Ambrax, deu nome a região de Ambrácia no Épiro. Tesproto construiu uma capital, Kychiro, que mais tarde se tornou a cidade de Éfira, onde havia o famoso oráculo dos mortos. Abaixo, ruínas de Éfira.
Necromanteio of Acheron

Os Molossos
A história da Molóssia, quanto ao período mais antigo, mantém estreito vínculo com a mitologia grega, uma vez que os antigos molossos eram tidos como descendentes de Molosso, um dos três filhos de Neoptólemo, que era filho do célebre guerreiro Aquiles. Posteriormente Molosso herdou o reino fundado por seu pai e deu nome a região. Da região veio uma raça de cães chamada de molossa por ser utilizada com frequencia pelos pastores da Molóssia. Os molossos ascenderam a uma posição dominante no Épiro. Da dinastia Eácida proveio Olímpia, mãe de Alexandre, o Grande, e Pirro, rei do Épiro que lutou contra os romanos. Abaixo, ruínas do santuário de Dodona, principal cidade dos molossos.
File:Dodona sanctuary.jpg

A Ascensão dos Molossos (470 -330 a.C.)
Os Eácidas (supostos descendentes de Éaco, avô do herói grego Aquiles) estabeleceram uma dinastia entre os molossos, que conseguiram criar um estado no Épiro em cerca de 370 a.C., expandindo o seu poder à custa de tribos rivais. Os molossos aliaram-se cada vez mais ao ascendente reino da Macedônia e em 359 a princesa molossa Olímpia, sobrinha do rei Arribas do Épiro, casou-se com o rei Filipe II da Macedônia. Ela se tornou a mãe de Alexandre, o Grande. Com a morte de Arribas, Alexandre I, o Molosso, irmão de Olímpia, sucedeu-o no trono com o título de Rei do Épiro.
Em 334, enquanto Alexandre, o Grande, atravessava a Ásia para lutar contras os persas, Alexandre Molosso liderou uma expedição ao sul da Itália em apoio das cidades gregas da Magna Grécia contra as tribos italianas vizinhas e a emergente República Romana. Após alguns sucessos no campo de batalha, foi derrotado por Roma e morto em batalha (c. 331 a.C.). Abaixo, locais das campanhas de Alexandre Molosso.

Unificação do Reino de Épiro (330-231 a.C.)
Em 330, quando da morte de Alexandre, o Molosso, o termo 'Épiro’ aparece como uma unidade política nos antigos registros gregos pela primeira vez, sob a liderança da dinastia dos Molossos (ou Eácidas). Posteriormente, as cunhagens de moedas dos três grandes grupos tribais epirotas chegou ao fim, e uma nova moeda foi emitida com a legenda epirota. Após a morte de Alexandre I, Eácides do Épiro, o sucedeu e abraçou a causa de Olímpia contra Cassandro nas questões da Macedônia, mas foi destronado em 313. Abaixo, efígies de Olímpia e Cassandro.
Olympias. Gold medaillon found at Abukir. Archaeological Museum of Thessaloniki (Greece). Photo Marco Prins.
Pirro, filho de Eácides, ascendeu ao trono em 295. Pirro, sendo um hábil general, foi encorajado a ajudar os gregos de Tarento contra Roma e decidiu dar início a uma grande ofensiva na península italiana e na Sicília. O conflito entre o Reino do Épiro e a República romana foi chamado de Guerras Pírricas. Devido a suas superiores habilidades militares, o exército epirota derrotou os romanos na Batalha de Heraclea (280 a.C.). Posteriormente, as forças de Pirro quase atingiram os arredores de Roma, mas tiveram que recuar para evitar um conflito desigual com um exército romano muito mais numeroso. No ano seguinte Pirro invadiu a Apúlia (279) e os dois exércitos se encontraram na Batalha de Ásculo onde os epirotas obtiveram uma vitória que lhes custou muito. Abaixo, mapa das Guerras Pírricas.Em 277, Pirro capturou a fortaleza cartaginesa de Eryx, na Sicília. Isto levou o restante das cidades cartaginesas aliadas do Épiro se desvincularem de Pirro. Além disso, ele começou a mostrar um comportamento despótico para com os gregos da Sicília e em breve os sicilianos se inflamaram contra ele. Apesar de ter derrotado os cartagineses em batalha, ele foi forçado a abandonar a Sicília. A campanha italiana de Pirro chegou ao fim após a inconclusiva Batalha de Benevento (275 a.C.).Tendo perdido a maior parte de seu exército, ele decidiu voltar ao Épiro, o que finalmente resultou no término de todas as suas participações nas guerras italianas. Por causa de suas duras e custosas vitórias, “vitória de Pirro” tornou-se o termo é usado frequentemente para uma vitória com custo devastador para o vencedor.

A Liga Epirota (231-167 a.C.)
Em 233 a.C., a rainha Deidamia, a última remanescente da casa real dos Eácidas, foi assassinada. Sua morte trouxe uma extinção abrupta para a família real epirota e uma república federativa foi criada, embora com território diminuído, visto que a Acarnânia ocidental declarou sua independência e os etólios conquistaram Ambrácia, Amfilóquia e o restante do norte do Golfo Ambraciano. A nova capital epirota foi estabelecida em Fenice, o centro político do caônios. As razões para a queda rápida da dinastia Eácida provavelmente são complexas. A pressão que os etólios devem ter desempenhado de um lado, e a aliança com a Macedônia, que pode ter sido impopular, e havia, talvez, as tensões sociais. No entanto, o Épiro permaneceu um estado substancial unificado sob a égide da Liga Epirota como um estado federativo com seu próprio parlamento (ou Sinédrio). Abaixo a Etólia e as regiões que conquistou do Épiro: Ambrácia e Acarnania.
File:Aetolia map.jpg
Nos anos seguintes, o Épiro enfrentou a ameaça crescente da expansionista República Romana, a qual enfrentou a Macedônia em uma série de guerras . A Liga manteve-se neutra nas duas primeiras Guerras Macedônicas (214 – 205 e 200-196 a.C.), mas dividiu-se na Terceira Guerra Macedônica (171-168 a.C.), com os molossos apoioando os macedônios e os caônios e tesprotas apoiando Roma. O resultado foi desastroso para o Épiro: a Molóssia foi conquistada por Roma em 167; 150.000 de seus habitantes foram escravizados e a região foi tão devastadoramente saqueada que levou 500 anos para o Épiro central se recuperar totalmente. Abaixo, a expansão da República Romana no segundo século a.C.


REFERÊNCIAS
http://www.e-grammes.gr/maps/epirus.jpg
http://en.wikipedia.org/wiki/Epirus_(ancient_state)
http://en.wikipedia.org/wiki/Epirus_(region)
http://en.wikipedia.org/wiki/Chaonians
http://www.ammoudia.co.uk/informations/ammoudia-informations/nekromanteion-of-acheron.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Thesprotians

terça-feira, 20 de abril de 2010

DEIDAMIA (235 – 231 a.C.)

Deidamia (também chamada de Laodamia por Marco Justino ) era uma princesa epirota filha de Pirro II, rei do Épiro. Ascendeu ao trono após a morte de seu primo Pirro III (235 a.C.) sendo que este reinou tão brevemente (menos de um ano) que alguns autores colocam-na como sucedendo diretamente a seu tio Ptolomeu (238 – 235 a.C.).
Ao assumir o trono teve que enfrentar a revolta dos epirotas da Ambrácia. Sua irmã Nereis, que era casada com o rei Gelon II de Siracusa, lhe enviou enviou 800 mercenários gauleses para auxiliá-la, que se juntaram a seus fiéis molossos (principal tribo epirota). Deidamia rapidamente avançou contra Ambrácia. Os ambracianos foram tentar fazer um acordo de paz, e Deidamia apenas exigiu que eles reconhecessem seus direitos sucessórios ao trono epirota e as honras de seus antepassados. No entanto, o clima de revolta e conspiração permanecia e Nestor, que fora guarda de Alexandre II, avô de Deidamia, foi aliciado para assassinar a rainha, mas desistiu do intento ao deparar-se com a rainha, pois reconhecia nela dignidade. Segundo o escritor Polieno, Nestor ficou olhando para o chão e meditando ao defrontar-se com Deidamia. No entanto, havia na população epirota descontente a determinação de garantir a sua liberdade por meio da eliminação da família real inteira. Deidamia se refugiou no templo de Ártemis onde foi assassinada por certo Milo, que fora condenado por matar a própria mãe e se livrou da pena ao matar a soberana. Segundo Polieno, doze dias depois, Milo começou a delirar e se suicidou.
Segundo Pausanias, após um breve e curto reinado, Deidamia morreu de causas naturais e deixou a seu povo escolher qual a melhor forma de governo que queriam. A partir daí se acabou o Reino do Épiro e se instituiu um sistema federativo conhecido como a Liga Epirota que pouco menos de 100 anos depois sumbia para o poderio da ascendente Repúlbica Romana. Abaixo, a Liga Epirota que sucedeu ao Reino do Épiro.

REFERÊNCIAS:

http://en.wikipedia.org/wiki/Deidamia_II_of_Epirus
http://el.wikipedia.org/wiki/Δηιδάμεια_Β'_της_Ηπείρου
Los héroes y las grandezas de la tierra: (1855) editado por Fernando Patxot Ferrer. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=gIXzPf_ZFpEC&dq=Sabilinto&source=gbs_navlinks_s

PIRRO III (235 a.C.)

Filho de Ptolomeu do Épiro foi o último representante masculino da dinastia eácida a ocupar o trono epirota. Ascendeu ao trono sob a tutela de sua avó Olímpia II e morreu no mesmo ano assassinado pelos ambrácios que visavam se libertar do Épiro. Sua tia Deidamia II assumiu o trono. Abaixo, ponte sobre o rio Aractos em Arta (antiga Ambrácia, capital do Épiro).

REFERÊNCIAS
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_III_de_Epiro
http://ru.wikipedia.org/wiki/Пирр_III
Los héroes y las grandezas de la tierra: (1855) editado por Fernando Patxot Ferrer. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=gIXzPf_ZFpEC&dq=Sabilinto&source=gbs_navlinks_s

PTOLOMEU (238-235 a.C.)

Ptolomeu do Épiro era o segundo filho do rei Alexandre II e Olímpia II. Com a morte de seu pai, sua mãe assumiu a regência em nome de seus dois filhos menores, Pirro e Ptolomeu. Depois do reinado e da morte de seu irmão, Pirro II, no ano de 238 a.C. Ptolomeu herdou o trono. Abaixo, ruínas da antiga cidade de Paleros na Acarnânia.

Ele organizou uma expedição militar contra os etólios que haviam se apoderado de parte da Acarnânia, durante a qual ele ficou doente e morreu cerca de 235 a. C., embora o escritor grego Polieno, conte uma história diferente e diz que ele assassinado. Foi sucedido por seu filho Pirro III.

REFERÊNCIAS:
http://es.wikipedia.org/wiki/Ptolomeo_de_Epiro
http://ru.wikipedia.org/wiki/Пирр_III

PIRRO II (242 – 238 a.C.)

Pirro II era filho de Alexandre II e Olímpia II sendo seus irmãos Ptolomeu e Ftia. Quando da morte de seu pai (255 a.C.), Pirro não tinha idade para assumir o trono e sua mãe assumiu a regência do reino até ele atingir a maioridade (242 a.C.). Segundo Ateneu de Naucrátis (c. 200 d.C.), Pirro envenenou sua mãe por esta ter anteriormente envenenado sua amada Tigris, dama da Leucádia. Outras fontes, no entanto, asseguram que Olímpia sobreviveu à morte dos dois filhos, o que lhe causou grande tristeza. O mundo helenístico em torno de 240 a. C.
Pirro II reinou brevemente (cerca de quatro anos) morrendo de causas naturais. Deixou duas filhas Deidamia II e Nereis, que se casou com o tirano de Siracusa, Gelon II, com o qual teve Hierônimo II de Siracusa. O nome de Nereis foi encontrado nas ruínas do antigo teatro de Siracusa o que indica que ela tinha o título de rainha.
Pirro II foi sucedido por seu irmão Ptolomeu.

REFERÊNCIAS:
http://en.wikipedia.org/wiki/Pyrrhus_II_of_Epirus
http://el.wikipedia.org/wiki/Πύρρος_Β'_της_Ηπείρου
http://ca.wikipedia.org/wiki/Nereis_de_l'Epir

OLÍMPIA II (255 – 242 a.C.)

Olímpia foi rainha do rei Alexandre II, seu irmão, sendo filha de Pirro I, a águia do Épiro, não sendo conhecido o nome de sua mãe. De sua união com Alexandre teve três filhos: Pirro II, Ptolomeu e Ftia. Quando da morte do rei, em c. 255 a.C., ela assumiu a regência do reino em nome de seus dois filhos, Pirro e Ptolomeu, e com vista a reforçar-se contra a Liga Etólia deu (antes de 239 a.C.) a sua filha Ftia em casamento a Demétrio II, rei de Macedônia. Olímpia temia que a Liga Etólia lhe tomasse parte da Acarnânia que Alexandre II havia recebido como recompensa de seu apoio a Liga. Através da aliança com Demétrio II, ela garantiu sua soberania e a posse das terras acarnanianas. No entanto, Demétrio II já era casado com a princesa Estratonice, da dinastia selêucida da Ásia, mas isso não o impediu de contrair o novo matrimônio. Em 239, Estratonice, irritada com a bigamia do marido, volta à corte selêucida onde reina seu sobrinho Seleuco II Calínico onde tenta em vão persuadi-lo a vingar-se do rei macedônio. Abaixo, as Montanhas Pindo no Épiro.
Olímpia regeu o Épiro até a maioridade de seu filho Pirro II (242 a.C.). Segundo Marco Juniano Justino em sua obra Epítome de Pompeio Trogo, as mortes de Pirro II e de seu irmão Ptolomeu que o sucedeu fizeram com que Olímpia morresse de tristeza pela sua dupla perda. Mas, de acordo com Ateneu em sua Deiposophistae, que tem predileção por intrigas, Olímpia havia envenenado Tigris, uma donzela da Leucádia, que era o amor de seu filho Pirro II. Em vingança, Pirro II teria envenenado a própria mãe.

REFERÊNCIAS
http://en.wikipedia.org/wiki/Olympias_II_of_Epirus
http://el.wikipedia.org/wiki/Ολυμπιάδα_της_Ηπείρου

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ALEXANDRE II (272 - 255 a.C.)

Alexandre II era filho de Pirro I, rei do Épiro, com Lanassa, filha do rei Agatocles de Siracusa na Sicília. Foi considerado um hábil guerreiro. Participou com seu pai das guerras na Itália(280 - 275 a.C.). Os gregos da Sicília pediram auxílio a Pirro (que não lograva êxito na sua luta com Roma) para ir a ilha e afastar a ameaça dos cartagineses. As cidades da Sicília foram em busca de Pirro por causa dos vínculos relacionais com a família de Agatocles, antigo rei de Siracusa, havendo um filho com o sangue de sua filha Lanassa. Alexandre, porém, permaneceu em Locri, no sul da península italiana, enquanto seu pai foi para a ilha (278 a.C.). Em 274 Alexandre retorna com seu pai para o Épiro. Abaixo, ilustração de moeda com a efígie de Alexandre II do Épiro.

Quando Pirro parte para a Macedônia e Grécia para lutar contra Antígono II Gônatas que disputava o trono macedônico com Pirro, Alexandre ficou como regente do Épiro. Seus irmãos, Ptolomeu, o primogênito, e Heleno, foram para as guerras com seu pai. Quando seu pai morreu em 272 a.C. Alexandre II assumiu o trono do Épiro, haja vista seu irmão mais velho ter morrido em combate contra os espartanos.
Alexandre enfrentou o rei ilírio Mitilo usando o estrategama de vestir seus homens com roupas ilírias confundindo o inimigo. Desde então, Alexandre viveu em paz com os ilírios. Alexandre continuou a luta de seu pai contra Antígono II pela Macedônia. Em 270, aproveitando que este estava assediando a cidade de Atenas, Alexandre invade a Macedônia. Antígono retornou rapidamente à Macedônia, mas com a deserção de suas tropas não pode expulsar o rei epirota. No entanto, o filho de Antígono, Demétrio, mais conhecido como Demétrio II Etólico, embora fosse adolescente, levantou um exército na ausência de seu pai e não só recuperou a Macedônia bem como conquistou o Épiro expulsando a Alexandre II que se refugiou na Acarnania. Abaixo, as regiões do Épiro, Acarnânia e da Liga Etólia.Graças ao apoio dos acarnanianos e de fiéis epirotas conseguiu recuperar sua realeza sobre o Épiro e fez aliança com a Liga Etólia que lutava contra a dominação macedônica sobre a Grécia. Com essa aliança, Alexandre II adquiriu territórios da Acarnânia.
Alexandre II é mencionado nos Éditos de Asoka, imperador indiano, que trabalhou para a propagação do budismo. Pode-se deduzir a partir do texto do Édito que houve proselitismo de budistas no Épiro nos dias de Alexandre II.
Alexandre havia se casado com sua irmã, Olímpia, conhecida como Olímpia II do Épiro, que lhe deu três filhos: Pirro, Ptolomeu e Ftia. Após a morte de Alexandre II (255 a.C.) Olímpia assumiu a regência do Épiro em nome de seus filhos.

REFERÊNCIAS:
http://el.wikipedia.org/wiki/Αλέξανδρος_Β'_της_Ηπείρου
http://en.wikipedia.org/wiki/Olympias_II_of_Epirus
http://es.wikipedia.org/wiki/Alejandro_II_de_Epiro

sexta-feira, 16 de abril de 2010

PIRRO I – SEGUNDO REINADO (297 – 272 a.C.) – PARTE V

As Guerras Pírricas (280 - 275 a.C.)


A Batalha de Benevento e o Retorno ao Épiro
Estando Pirro na Itália, a guerra com os romanos se reiniciou (275 a.C.). Os cônsules de Roma eram Mânio Cúrio Dentato e Sérvio Cornélio Merenda. Dentato avançou para o sul da Itália e Pirro avançou contra ele, que estava acampado na periferia da cidade de Malevento, antes que chegasse Merenda. Dentato queria evitar a batalha antes que chegasse seu colega, mas o avanço noturno de Pirro precipitou o confronto. As forças exaustas de Pirro foram facilmente vencidas. Os romanos enfrentaram os elefantes do rei epirota com flechas em chamas. Porque Malvento soava como a palavra latina para má oportunidade, os romanos mudaram o nome da cidade para Benevento,"boa oportunidade", sendo hoje seu atual nome. Pirro retornou a Tarento. Recorreu aos reis da Macedônia e da Síria por mais suprimentos, mas sem sucesso. Sendo mal visto pela população tarentina e sem condições de proseguir uma guerra com Roma, Pirro deixa uma guarnição em Tarento sob o comando de seu filho Heleno e de Milo, e volta para o Épiro (274 a.C.) que encontrava-se sob a regência de seu filho Ptolomeu. O rei voltara financeiramente quebrado, mas seu espírito guerreiro ainda ardia haja vista ter voltado, apesar de sua derrota, com considerável efetivo militar. Sendo assim, Pirro e Ptolomeu recuperam a ilha de Corcira na costa do Épiro. Abaixo: os elevantes de Pirro foram ineficazes na batalha de Benevento.

Invasão à Macedônia
Em 273 a.C. Pirro invadiu a Macedônia, onde reinava então Antígono II Gônatas, filho de Demétrio I Poliorcetes. Pirro reforçou seu exército com um corpo de mercenários gauleses e, inicialmente, o seu único objetivo parecia ser apenas saquear cidades para fortalecer suas combalidas finanças. Mas seu sucesso excedeu as suas expectativas: ele obteve a posse de várias cidades sem resistência e ainda te o acréscimo de dois mil soldados. Quando Antígono avançou para detê-lo, Pirro o emboscou em um desfiladeiro, matando a maioria de seus mercenários gauleses e capturando os seus elefantes. Pirro avançou contra os conturbados soldados macedônicos que não resistiram a Pirro que chamava seus líderes veteranos pelo nome: Antígono viu sua falange macedônica desertar e dar boas vindas a Pirro como o novo rei da Macedônia. Antígono se retirou para o litoral recuperando algumas cidades costeiras. Pirro dedicou sua vitória a deusa grega Atena e lhe consagrou os escudos tirados dos gauleses mercenários de Antígono. Assim, Pirro, o molosso rei do Épiro, era novamente rei da Macedônia. Abaixo, Pirro e seus homens celebrando uma vitória.

Guerra com Esparta
Cleônimo, membro da família real de Esparta que tinha sido excluído do trono, teve sua jovem esposa, Quelidonis, seduzida por Acrótato, filho de Areu I, que reinava em Esparta. Cleônimo, ansioso por vingança, chegou à corte de Pirro e convenceu-o a declarar guerra contra Esparta para fazer prevalecer os direitos de Cleônimo ao trono.
Pirro fez uma expedição ao Peloponeso. Enquanto lá ele esteve, recebeu várias embaixadas, dentre as quais a espartana. Ele prometeu enviar seus filhos para Esparta, para serem treinados de acordo com os preceitos de Licurgo (lendário legislador de Esparta). Apesar de os embaixadores espartanos enfatizarem a natureza pacífica e amigável de Pirro, este marchou para Lacedemônia ( país de Esparta) em 272 a.C. com um exército de 25.000 soldados, 2.000 cavalos e 24 elefantes. Quando os embaixadores espartanos o repreenderam por agir contra as suas próprias palavras, Pirro respondeu, segundo o historiador Polieno (Estratagemas 6.1): “Quando vós os espartanos resolveis fazer a guerra, é vosso costume não informar o inimigo. Não me acuseis, portanto, de injustiça, se hei utilizado um estratagema espartano contra os mesmos espartanos”. Abaixo, mapa do Épiro e seus vizinhos.Em Esparta não havia nenhuma preparação defensiva, e o próprio rei Areu se encontrava em Creta. Tão logo chegou Pirro, Cleônimo pediu-lhe para atacar a cidade diretamente. De acordo com Plutarco, como o dia avançava, Pirro decidiu adiar o ataque até o dia seguinte, temendo que os seus homens saqueassem a cidade se esta caisse depois do pôr do sol. Durante a noite, os espartanos, jovens e velhos, homens e mulheres, trabalharam incessantemente para cavar uma cova profunda em frente ao campo inimigo e, ao final de cada barragem formaram uma forte barricada de carretas. No entanto em sua Descrição da Grécia, Pausanias diz que tais trincheiras e barricadas existiam desde a guerra de 295 a. C. contra Demétrio I Poliorcetes, até mesmo as edificações que cobriam os pontos mais fracos. Ele também alega que os espartanos enfrentaram Pirro em batalha ao lado messênios e argives, seus aliados, e foram derrotados, após o que o rei epirota se contentou em saquear o acampamento inimigo. Abaixo, pintura de Jean-Baptiste Topino-Lebrun retratando o sítio de Esparta por Pirro.Segundo outros autores, no dia seguinte, Pirro avançou em direção à cidade mas foi rechaçado pelos espartanos que lutaram sob o comando de seu jovem líder Acrótato de uma maneira digna sua fama ancestral. Ele renovou o ataque no dia seguinte, sem melhor resultado. Quando rei Areu chegou com 2000 cretenses juntamente com Amínias de Foceia, general de Antígono, com tropas auxiliares de Corinto, Pirro abandonou qualquer esperança de capturar a cidade, mas não abandou por completo sua campanha, pois decidiu passar o inverno no Peloponeso e se preparar para novos empreendimentos quando da chegada da primavera.

A Última Batalha da Águia do Épiro
Enquanto se preparava Pirro foi convidado por Aristeu, um dos notáveis da cidade de Argos, para ajudá-lo contra o seu rival Aristipo, cuja causa era favorecida por Antígono II Gônotas. Pirro começou seu avanço a partir de Lacedemônia, mas não sem lutas intensas, pois os espartanos atacaram sua marcha e ocuparam algumas passagens das montanhas. Em um desses encontros morreu o filho mais velho de Pirro, Ptolomeu, que fora regente do Épiro e provável sucessor do rei epirota. Com grande dor, Pirro vingou sua morte matando o chefe da guarnição espartana com as próprias mãos. Quando chegou nas proximidades de Argos, encontrou Antígono acampado em uma colina perto da cidade, mas não conseguiu induzi-lo a lutar. Abaixo, ruínas do antigo teatro de Argos na cidade atual.Havia um partido em Argos, que não pertencia a nenhuma das facções e estava ansioso para livrar-se tanto de Pirro como de Antígono. Eles enviaram uma embaixada aos dois reis, pedindo-lhes para se retirar da cidade. Antígono concordou e enviou seu filho como refém, mas Pirro se recusou e não enviou nenhum refém. Ao anoitecer, Aristeas permitiu a Pirro passagem para a cidade; este entrou no mercado com alguns de seus soldados, deixando seu filho de Heleno com o grosso das tropas no lado exterior. Quando o alarme veio, a fortaleza foi ocupada por argivos da facção contrária. Areu e seus espartanos, que tinha seguido de perto a Pirro, foram admitidos no interior da cidade. Antígono também pode inserir uma parte de suas tropas para dentro, sob o comando de seu filho Alcíone, enquanto ele permanecia fora com o grosso de seu exército. Abaixo, moeda com a efígie de Antígono II Gônatas.Ao fim da madrugada, Pirro viu que todas as praças fortes estavam sob controle do inimigo, tornando-se necessário se retirar. Ele enviou ordens para que seu filho Heleno quebrar parte das muralhas, lugar por onde ele poderia mais facilmente se retirar, mas um erro na entrega da mensagem fez com que Heleno tentasse entrar na cidade pelo mesmo lugar onde Pirro estava saindo. Os dois grupos se encontraram de frente e para aumentar a confusão um dos elefantes caiu na porta, e um segundo tornou-se selvagem e incontrolável. Pirro, na retaguarda, tentava segurar o inimigo. Enquanto lutava, ficou levemente ferido no peito por uma lança e, voltando-se para vingar do argivo que o tinha atacado, a mãe do soldado, vendo seu filho em perigo, jogou do telhado da casa onde se achava uma telha pesada que golpeou Pirro na nuca. Ele caiu de seu cavalo atordoado e foi reconhecido por Zópiro, um dos soldados de Antígono. Ele foi morto quando estava deitado, decapitado e sua cabeça enviada para Alcíone, que exultante, levou o sangrento troféu a Antígono, seu pai. Mas, Antígono desviou o olhar. Tratou Heleno, filho de Pirro, com magnanimidade e entregou-lhe o cadáver de seu pai, permitindo ainda que Heleno retornasse ao Épiro com segurança. Seus restos mortais foram depositados no templo da deusa Deméter. No trono do Épiro, Pirro foi sucedido por seu filho Alexandre II. Abaixo, ilustração da morte de Pirro.
REFERÊNCIAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_Epiro
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus03.html


quinta-feira, 15 de abril de 2010

PIRRO I – SEGUNDO REINADO (297 – 272 a.C.) – PARTE IV

A Guerra na Sicília

Ao lado, efígie de Pirro rei em moeda siciliana. Após tomar a resolução de investir na Sicília, Pirro enviou Cíneas, seu embaixador, às cidades da ilha a fim de iniciar as negociações. Entretanto, a guarnição que colocara na cidade de Tarento sob o comando de Milo, a fim de mantê-la submissa, provocara grande descontentamento entre os seus habitantes. Os tarentinos mandaram-lhe dizer que, ou Pirro permanecia no país a fim de sustentar a guerra contra os romanos, de acordo com o compromisso anteriormente assumido, ou, caso decidisse abandonar a Itália, que deixasse Tarento na situação em que a havia encontrado. Pirro respondeu-lhes que não lhe falassem mais em tal assunto e que esperassem pelo momento oportuno. Alexandre, filho de Pirro, ficou no comando da cidade de Locris. E assim seguiu para a Sicília e quando chegou em Siracusa arbitrou a paz entre Tenon e Sóstrato e outras as cidades apressaram-se em se entregar, e, em todos os lugares onde teve de empregar a força, não encontrou nenhuma forte resistência. Foi proclamado strategos (general) da Sicília. Com um exército de trinta mil homens de infantaria e dois mil e quinhentos cavaleiros, e uma esquadra de duzentos navios, ele ia expulsando por toda parte os cartagineses e conquistando as regiões que estavam sob o seu domínio. A campanha durou cerca de dois anos (278 – 276 a.C.). Abaixo, a campanha de Pirro na Sicília.A cidade de Érix , entre as que os cartagineses conservavam em seu poder, era a dotada de melhores fortificações e maior número de defensores. Em 277 a.C., Pirro decidiu ocupá-la pela força e ao aproximar-se da cidade prometeu ao deus Hércules um sacrifício solene e jogos públicos em sua homenagem, caso lhe concedesse a graça de mostrar-se, aos olhos dos gregos que moravam na Sicília, digno de seu nascimento e dos grandes recursos de que dispunha. Iniciada a batalha, foram colocadas escadas rente às muralhas, sendo Pirro o primeiro a subir enfrentando os cartagineses com fúria e ousadia. Ele parecia tão terrível aos cartagineses, que estes não ousavam olhá-lo de frente. Após a ocupação da cidade, Pirro fez a Hércules um sacrifício magnífico e promoveu festas com jogos e combates de todas as espécies.
Pirro foi proclamado (ou se proclamou) rei da Sicília, título que destinou ao seu filho Heleno (herdado de seu avô, pois ele era filho da filha de Agatocles, rei de Siracusa), reservando o inexistente título de Rei da Itália para o seu filho Alexandre. Abaixo moeda de Siracusa com a inscrição PYRRHOS BASILEUS, isto é, Pirrro rei.Pirro também derrotou aos temíveis mamertinos de Messina. Os cartagineses se alarmaram de tal forma ante seu êxito que lhe ofereceram barcos e dinheiro com a condição de que fizesse uma aliança com Cartago, apesar de que há não muito tempo os cartagineses tinham assinado um tratado com Roma. Pirro rejeitou a oferta (que lhe daria grande vantagem em sua guerra contra Roma) a pedido dos gregos da Sicília que se recusavam a qualquer acordo com os cartagineses se eles, evacuassem completamente a ilha. Prosseguindo a guerra para expulsão dos cartagineses da Sicília, Pirro foi derrotado com grandes perdas após o ataque contra a inexpugnável cidade de Lilibea. O prestígio de seus sucessos diminuiu. Abaixo, o ataque epirota à Lilibea.Depois da derrota de Lilibea, Pirro decidiu construir uma frota e atacar os cartagineses na África, sua sede, assim como o rei de Siracusa, Agatocles, fizera em 310 a.C. Mas, os gregos sicilianos constataram que o perigo de uma dominação cataginesa fora afastado e não se entusiasmaram por uma guerra no exterior. Ansioso pelo empreendimento, Pirro passou a ser intolerante com os sicilianos que não atendiam suas ordens. Assim os gregos da Sicília, que antes o convidaram para a ilha, agora estavam ansiosos para que ele se retirasse e conspiraram contra ele. Isto levou a uma retaliação por Pirro, que atuou de forma descrita como cruel e tirânica pelos gregos. Envolvido em conspirações e insurreições de todos os tipos, Pirro estava tão ansioso para sair da ilha como estava antes de deixar a Itália. Então, quando seus aliados italianos novamente pediram a sua ajuda, imediatamente retornou para a península. Antes de sair, voltou-se para admirar a ilha e disse em voz alta: “Que boa arena de combate deixamos aqui para os romanos e os cartagineses”. Abaixo, as zonas dominadas por Cartago em cerca de 270 a.C.

O Retorno à Itália
Pirro voltou para a Itália no outono de 276 a.C. Ele foi atacado por uma frota de Cartago no seu percurso perdendo setenta de seus navios de guerra, que tinha obtido na Sicília. Quando ele desembarcou, teve que lutar contra os mamertinos que tinham atravessado o estreito de Messina para impedir a sua chegada. As forças de Pirro os derrotaram após violentos combates, e finalmente chegou em segurança em Tarento. Suas tropas tinha então aproximadamente os mesmos números da primeira vez que desembarcaram na Itália, mas de uma qualidade diferente. O fiéis epirotas tinham caído na maior parte e agora sua força militar é composta principalmente de mercenários recrutados na Itália e cuja lealdade só poderia ser segurada por vitórias, saques e pagamentos. Abaixo, ilustração de Pirro belicamente paramentado.Pirro não esteve inativo em Tarento. Recuperou Locri, que se revoltara contra seu filho Alexandre e passara para os romanos. Como aqui começou a ter dificuldades para conseguir o dinheiro necessário para pagar todos os seus soldados, e não recebendo mais de seus aliados, foi induzido por alguns filósofos epicuristas se apropriar dos tesouros do templo da deusa Prosérpina. Os barcos em que o dinheiro devia ser embarcado para ser levado para Tarento, foram reconduzidos a Locri por causa de uma tempestade. Esse evento afetou profundamente o ânimo de Pirro (que antes manifestara que o culto à deusa era superstição) que ordenou que os tesouros foram devolvidos ao templo e condenou à morte os infelizes que aconselharam a cometer a profanação. Desde então, como ele diz em suas memórias, ele vivia atormentado pela idéia de que a ira de Prosérpina o tinha perseguido até a ruína.

REFERÊNCIAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_Epiro
Los héroes y las grandezas de la tierra: (1855) editado por Fernando Patxot Ferrer. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=gIXzPf_ZFpEC&dq=Sabilinto&source=gbs_navlinks_s
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus01.html
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus02.html
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus03.html
http://www.mlahanas.de/Greeks/Bios/PyrrhusÉpiro.html
http://www.satrapa1.com/articulos/antiguedad/pirro/Pirro1.htm#7
http://www.heritage-history.com/www/heritage.php?R_menu=OFF&Dir=characters&FileName=pyrrhus.php
http://www.mainlesson.com/display.php?author=guerber&book=romans&story=pyrrhus
http://es.wikipedia.org/wiki/Guerras_Pírricas

terça-feira, 13 de abril de 2010

PIRRO I – SEGUNDO REINADO (297 – 272 a.C.) – PARTE III

Estátua de Pirro estilizado como Marte, o deus romano da guerra

Antecedentes da Guerra na Itália
Desde muito tempo havia várias cidades gregas na Sicília e no sul da Itália. Essa região era conhecida como Magna Grécia. A expansão de Roma sobre a Itália fez com que esta entrasse em choque inevitável com as cidades gregas do sul da península italiana. Na batalha de Sentinum (295), os romanos haviam derrotado os samnitas e os etruscos e assim começaram a unificar a Itália. Os romanos não estavam realmente interessados no extremo sul ainda, mas as circunstâncias políticas os levaram para a 'bota do Mediterrâneo". Abaixo, as cidades gregas da Magna Grécia.


Os lucanos, povo italiota helenizado, entraram em choque com algumas cidades gregas que apelaram aos romanos (285 a.C.). Estes ajudaram as cidades de Túrios contra os lucanos e Régio e Lócris contra os bútios, mas foram atacados pelos gregos de Tarento (282), que se ressentiram dessa intromissão romana na sua zona de influência. Quando o Senado enviou emissários para reclamar sobre este incidente, eles foram maltratados e a guerra foi declarada. Abaixo, a Itália antes às vésperas da intervenção de Pirro.Os habitantes de Tarento convidaram Pirro para ajudá-los contra os romanos oferecendo-lhe o comando das forças conjuntas. Pirro deixou claro aos embaixadores do sul da Itália que sua atuação na Itália se limitaria à campanha e não a algo maior. Mas, pelo que se sabe do célebre rei epirota e de seu investimento nessa guerra, certamente ele visava algo maior. Abaixo, moeda de Tarento com a efígie de seu epônimo, Taras. Possivelmente Pirro tinha a intenção de vingar a morte de Alexandre I, rei do Épiro que morreu na Itália (331 a.C.) em ajuda a Tarento. Aparecia-lhe a oportunidade de igualar-se a Alexandre, o Grande, através da construção de um império no Mediterrâneo ocidental, onde a rica Sicília era um alvo tentador. Ele poderia posar como o defensor da civilização grega, que o faria ganhar mais respeito na Grécia, ainda que os gregos considerassem os macedônios e os epirotas um pouco melhor do que bárbaros (povos não gregos). Mas o aspecto mais interessante foi ideológico: seria uma segunda Guerra de Troia. Roma alegava ter sido fundada por refugiados de Troia, liderados por Eneias; Pirro alegava ser descendente de Aquiles, o arqui-inimigo dos troianos. Um novo Aquiles luta contra uma nova Tróia. Abaixo, moeda romana retratando o mito fundamental da fundação de Roma: Rômulo e Remo alimentados por uma loba.Pirro foi encorajado a ajudar os tarentinos por influência do oráculo de Delfos bem como por incentivo de seus próprios comandantes. No entanto, Pirro não poderia deixar o Épiro sem se precaver de seus vizinhos belicosos. Estabeleceu acordos de paz com os ilírios e os etólios e casou-se com a filha de Ptolomeu Cerauno da Macedônia e alegando-se defensor da civilização helênica conseguiu o apoio financeiro e logístico de Antígono II Gônotas da Grécia e de Antíoco I Sóter da Ásia. Provavelmente, esses reis também o apoioaram para mantê-lo longe visto que o caráter bélico de Pirro sempre pairava como uma sombra de guerra sobre seus vizinhos. Abaixo, os estados helenísticos que apoiaram a Pirro.Em 280 Pirrro enviou seu embaixador Cíneas com algum efetivo e depois viajou pessoalmente para Tarento. Pirro deixou seu filho Ptolomeu, com cerca de 15 anos, como regente do Épiro e levou seus dois outros filhos Alexandre e Heleno. Pirro chegou à Itália com 20 elefantes de guerra, 3.000 cavaleiros, 2.000 arqueiros, 500 fundeiros, e 20.000 soldados. Esse grande efetivo indica que o objetivo de Pirro não era só defender Tarento dos romanos, mas subjugá-los. Ele contou ainda com a cidade que o tinha convidado bem como com as cidades de Metaponto e Heracleia. Pirro ordenou imediatamente aos tarentinos deixá-lo no comando de sua cidadela e os forçou-os a fazer exercícios militares. Abaixo, transporte dos elefantes de guerra.

A Batalha de Heracleia
Enquanto isso, os romanos tinham enviado o cônsul Públio Valério Levino para o sul. Seu exército era tão grande quanto o de Pirro, mas os romanos ainda não estavam familiarizados com o tipo de guerra que havia sido desenvolvido por Filipe II e Alexandre, o Grande,  da Macedônia. Devido à superioridade da sua cavalaria e dos seus elefantes, Pirro derrotou os romanos na Batalha de Heracleia. Segundo Pausânias, Pirro havia capturado seus elefantes na batalha com Demétrio. Quando na batalha de Heracleia os romanos viram os elefantes, entraram em pânico não acreditando que eles eram animais. Os romanos perderam cerca de 7.000 homens ao passo que Pirro perdeu 4.000. Pirro, no entanto, generosamente agiu depois da batalha, enterrando os corpos dos romanos da mesma forma como os dos seus próprios soldados e os prisioneiros foram tratados com bondade. Para comemorar esta vitória, Pirro escreveu uma dedicatória no oráculo de Zeus em Dodona. Abaixo, os elefantes de guerra atacando os romanos.


A Marcha de Pirro na Itália
Desde esta vitória, várias tribos e as cidades gregas de Cróton e Locros juntaram-se a Pirro. Este ofereceu aos romanos um tratado de paz, mas que foi rejeitado. A proposta de Pirro era que os romanos reconhecessem a independência das cidades gregas do sul da Itália, restaurasse os samnitas, lucanos, apúlios e brúcios a todas as suas possessões perdidas na guerra e que Roma deveria fazer as pazes com Pirro e com Tarento. Logo que o tratado de paz acordado nestes termos fosse confirmado, Pirro faria o retorno de todos os prisioneiros romanos sem resgate. Mas o acordo foi rejeitado. Abaixo, pintura de Cesare Macare retratando o senador Ápio Cláudio persuadindo o senado romano a rejeitar a proposta de Pirro. Cíneas, o eloquente embaixador de Pirro, foi expulso de Roma no mesmo dia. Por conseguinte, o rei decidiu continuar a guerra com vigor. Forçou uma marcha com destino a Roma saqueando as terras dos aliados dos romanos em seu caminho. Atrás dele estava o cônsul Levino, cujo exército foi reforçado com duas legiões recrutadas em Roma. Levino não combateu diretamente a Pirro, mas atrasou sua marcha até que o rei epirota chegou em Preneste (atual Palestrina), no Lácio, a 35 km de Roma. Abaixo, a marcha de Pirro até Preneste.Os batedores de Pirro chegaram até 9 km a leste da cidade. Mas sua marcha até Roma foi retardada. Neste momento foi informado que os romanos tinham feito paz com os etruscos e que o outro cônsul, Tibério Coruncanio, voltou com seu exército a Roma. Toda a esperança de se fazer a paz com Roma se foi e Pirro  decidiu retirar-se lentamente para a Campânia, ao sul. De lá, ele se retirou para seus alojamentos de inverno em Tarento e nenhuma outra batalha foi travada naquele ano (280 a.C.). Os romanos enviaram uma embaixada a Pirro encabeçada por Caio Luscino, a qual Pirro tratou com grande dignidade, mas não celebraram a paz. Os romanos visavam apenas troca ou resgate de prisioneiros. No entanto, Pirro, confiando na dignidade e honra dos romanos, permitiu que os prisioneiros fossem celebrar as festas Saturnálias em Roma e depois regressassem, o que de fato ocorreu. Abaixo, quadro de Ferdinand bol retratando o episódio descrito por Plutarco no qual um elefante assoa a tromba sobre a cabeça do legado romano Fabrício.

A Batalha de Ásculo
Quando Pirro invadiu a Apúlia (279 a.C.) os dois exércitos defrontaram-se na Batalha de Ásculo onde Pirro obteve uma vitória a muito custo. Os romanos perderam 6.000 homens e Pirro perdeu 3.500. Foi um duro golpe no exército de Pirro, que não aguentaria outro desfalque semelhante contra os romanos. Esta vitória não deu qualquer vantagem a Pirro que foi forçado a recuar para Tarento para passar o inverno sem grandes progressos. Por sua vitória em Ásculo, esse tipo de sucesso é chamado de uma vitória de Pirro ou vitória pírrica, onde o vencedor recebe um grande sucesso à custa de grandes danos. Se diz que após essa vitória Pirro teria dito: "Outra vitória como esta e estarei vencido!". Abaixo, ilustração da batalha de Áscalo.

Negociações e Oportunidades
Nesta batalha, como em Heracleia, a maior parte da ação recaiu praticamente sobre as tropas gregas do rei , e o estado em que se encontrava a Grécia após as invasões gaulesas do mesmo ano tornou impossível dos epirotas receberem reforços da Hélade. Então Pirro evitou arriscar a vida dos seus gregos sobreviventes em uma nova campanha contra romanos. A Grécia e a Macedônia também precisavam do apoio de Pirro ante a invasão dos gauleses que acabaram por matar a Ptolomeu Cerauno, rei da Macedônia e aliado de Pirro. Surgia assim a oportunidade de outra campanha: a reivindicação do trono da Macedônia. Porém, Pirro recebeu duas embaixadas de Siracusa. Depois de uma longa guerra civil entre Tenon e Sóstrato, a cidade estava indefesa contra uma possível invasão dos exércitos de Cartago, importante cidade fenícia na costa da África. Ambos adversários políticos procuraram o apoio de Pirro. Esta empresa parecia mais simples do que a da Itália, e tinha a atração da novidade, que sempre atraiu o inquieto rei do Épiro. Abaixo, mapa da Sicília no tempo de Pirro e suas cidades e origens étnicas. No entanto, antes era necessário suspender as hostilidades com os romanos, que também estavam ansiosos para se livrarem de um oponente formidável e completar a subjugação do sul da Itália sem interrupção. Uma vez que ambos os lados compartilharam de um desejo comum não foi difícil chegar a um acordo para acabar com a guerra. Isso ocorreu no início de 278 a. C. quando um dos médicos de Pirro, Nicias, desertou para as linhas romanas e propôs aos cônsules envenenar seu mestre. Os cônsules Fabrício e Emílio enviaram o desertor de volta ao seu rei dizendo que detestavam a idéia de conseguir uma vitória por traição. Para mostrar sua gratidão, Pirro enviou Cíneas a Roma com todos os prisioneiros romanos entregando-os sem resgate. Parece que Roma concedeu uma trégua a Pirro, mas não uma paz formal, pois o rei não concordou em abandonar a Itália. Seus planos se voltam para a Sicília.

REFERÊNCIAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirro
http://es.wikipedia.org/wiki/Pirro_de_Epiro
Los héroes y las grandezas de la tierra: (1855) editado por Fernando Patxot Ferrer. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=gIXzPf_ZFpEC&dq=Sabilinto&source=gbs_navlinks_s
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus01.html
http://www.livius.org/ps-pz/pyrrhus/pyrrhus02.html
http://www.mlahanas.de/Greeks/Bios/PyrrhusÉpiro.html
http://www.satrapa1.com/articulos/antiguedad/pirro/Pirro1.htm#7
http://www.heritage-history.com/www/heritage.php?R_menu=OFF&Dir=characters&FileName=pyrrhus.php
http://www.mainlesson.com/display.php?author=guerber&book=romans&story=pyrrhus
http://es.wikipedia.org/wiki/Guerras_Pírricas